sábado, 30 de julho de 2011

Hepatites virais: falta de informação prejudica diagnóstico precoce



Escrito por Dr. Hamilton Bonilha

Aproximadamente 400 milhões de pessoas no mundo são portadoras do vírus da hepatite B (VHB) e cerca de 200 milhões estão infectadas pelo vírus da hepatite C (VHC). No Brasil, estima-se que de 2 a 3 milhões de habitantes possuem o vírus da hepatite C, sendo que menos de 5% deles sabem que são portadores e somente 10.000 em média são tratados por ano.

No dia 28 de julho é lembrado o Dia Mundial da Luta Contra Hepatites Virais. A data serve para reforçar e conscientizar a população sobre a importância da prevenção da hepatite, pois em alguns casos ela pode ser tratada e até evitada. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que aproximadamente 600 milhões de indivíduos no mundo sejam portadores crônicos das hepatites B (causada pelo vírus VHB) e C (causada pelo vírus VHC). Esses tipos de hepatites são responsáveis por mais de 80% dos casos de câncer primário do fígado (carcinoma hepatocelular) em todo o mundo. No Brasil, as estimativas apontam para um número entre 2 e 3 milhões de pessoas portadoras do vírus VHC, da hepatite C. No entanto, apenas cerca de 5% dos infectados sabem que estão com o vírus. Em média, somente 10.000 casos são tratados por ano no País.

O que é a hepatite

A hepatite é toda e qualquer inflamação do fígado, podendo se desenvolver de várias formas. Existem diversas formas de hepatite, sendo as mais conhecidas: A, B, C, D e E. Dessas, as hepatites B, C e D podem evoluir para a forma crônica da doença. Cerca de 90% dos casos de infecção pelo vírus VHB evoluem para cura e de 5% a 10% dos pacientes persistem como portadores crônicos. Em relação ao vírus VHC, cerca de 90% dos pacientes evoluem para a forma crônica da doença, sendo que 20% a 30% podem desenvolver cirrose hepática.

Da hepatite ao câncer de fígado

O vírus VHC é o principal fator de risco para o carcinoma hepatocelular, aumentando o risco em 17 vezes. As infecções crônicas pelo VHB e VHC são geralmente silenciosas e, quando o paciente começa a apresentar sintomas, na maioria dos casos, não se tem mais o que fazer, pois a doença já evoluiu para a fase de cirrose descompensada ou câncer hepático. Entre 70% e 100% dos casos de câncer hepático se desenvolvem em fígados com cirrose.

O carcinoma hepatocelular é a 5ª causa de câncer e a 3ª causa de morte por câncer no mundo, levando a 500 mil mortes por ano. Assim, as principais formas de prevenção para o câncer de fígado são evitar a infecção pelos vírus responsáveis pela hepatite, a vacinação e a detecção precoce das infecções por VHB e VHC. Portanto, a conscientização sobre a importância de detectar o maior número possível de portadores do VHB e VHC, seja por meio de exames detalhados ou através de campanhas de rastreamento de portadores, com a realização de testes rápidos para esses vírus, é fundamental para minimizar o impacto relacionado às hepatites.

Recomendações para evitar as complicações da hepatite:

• Se você possui um dos fatores de risco para hepatite, consulte seu médico;

• Peça para seu médico que inclua os exames de detecção para o vírus B (AgHBs e anti-HBc) e para o vírus C (anti-HVC) entre seus exames de rotina. A detecção precoce favorece o controle ou a cura da doença;

• Verifique se você tomou a vacina contra a hepatite B. A vacinação não previne apenas a hepatite, como também o câncer, já que a hepatite B é a principal causadora do câncer de fígado.

Opções de tratamento para o câncer de fígado

Quando a hepatite evolui para o câncer de fígado, existem algumas opções de tratamento. Quando o câncer ainda está restrito ao fígado, a cirurgia de retirada total ou parcial do órgão afetado é indicada. Mas, nos casos em que a doença já afeta outros órgãos (metástase), além de cirurgia, a administração de medicamentos é recomendada. A medicina evoluiu de forma significativa nesse sentido e o câncer de fígado ganhou a opção de tratamento com as terapias-alvo. Esses medicamentos “inteligentes” agem diretamente nas células doentes e não atingem as saudáveis, fazendo com que o paciente tenha menos efeitos adversos, mais qualidade de vida e até o dobro de sobrevida. Essas drogas retardam o crescimento do tumor e são mais bem toleradas pelos pacientes, além de poderem ser tomadas em casa, já que são medicamentos orais.

Dr. Hamilton Bonilha – CRM 51466 – é infectologista e ex-presidente da Sociedade Paulista de Infectologia.

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