sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Pessoas felizes e positivas têm menos ataques cardíacos

Redação do Diário da Saúde


 


 


 

 
 

Emoções positivas para o coração

Pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, descobriram uma ligação direta entre as emoções e as doenças cardíacas.

O estudo, o primeiro a demonstrar uma relação direta entre as emoções positivas e as doenças coronarianas, foi publicado na revista da Sociedade Europeia de Cardiologia.

Efeito positivo

"Ser feliz faz bem para o seu coração," afirma Karina Davidson, que coordenou a pesquisa, um estudo observacional sobre uma amostra da população que passou por eventos cardíacos de diversos tipos.

O estudo sugere que pode ser possível ajudar as pessoas a evitar as doenças cardíacas melhorando suas emoções positivas.

Ao longo de um período de 10 anos, Davidson e seus colegas acompanharam 1.739 adultos saudáveis (862 homens e 877 mulheres). No início do estudo, enfermeiras treinadas avaliaram o risco de doenças cardíacas de cada um dos participantes e o grau de expressão de emoções positivas, que é conhecido como um "efeito positivo."

Emoções agradáveis

O efeito positivo foi definido como a experimentação de emoções agradáveis, como alegria, felicidade, entusiasmo e contentamento. Esses sentimentos são normalmente estáveis e característicos da personalidade, sobretudo entre os adultos.

Depois de levar em conta idade, sexo, fatores de risco cardiovasculares e emoções negativas, os pesquisadores descobriram que, ao longo do período de 10 anos, um maior efeito positivo esteve associado com um risco de doenças 22% menor por ponto - em uma escala de cinco pontos que mede os níveis de expressão do efeito positivo, variando de "nenhum" para "extremo".

"Nós também descobrimos que se alguém, que era normalmente positivo, apresentou algum sintoma depressivo no período da pesquisa, isto não afetou o menor risco em geral da doença cardíaca," diz Davidson.

Como as emoções afetam o coração

Os pesquisadores especulam sobre os possíveis mecanismos pelos quais as emoções positivas podem oferecer uma proteção de longo prazo contra as doenças do coração.

Entre as possibilidades, eles listam a influência das emoções positivas sobre a variabilidade da frequência cardíaca, sobre os padrões de sono e sobre o abandono do cigarro.

"Nós temos diversas explicações possíveis," diz a Dra. Davidson. "Primeiro, as pessoas com o efeito positivo podem ter períodos maiores de relaxamento fisiológico. Segundo, eles podem se recuperar mais rapidamente de eventos estressantes, não gastando muito tempo revivendo-os, o que pode causar danos fisiológicos."

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Gestantes não recebem informações sobre riscos de medicamentos

Júlio Bernardes - Agência USP

 
 
 

Riscos para o bebê

Pesquisa da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP revela que 60% das gestantes que utilizam medicamentos durante a gravidez não recebem informações sobre possíveis riscos da medicação para a saúde do feto.

O estudo, realizado com 699 mulheres com mais de 30 semanas de gestação no interior de São Paulo, ressalta a necessidade de orientação adequada sobre medicamentos muito utilizados, como os receitados para cólicas, mas que não possuem estudos aprofundados sobre seus efeitos.

Medicamentos não são testados em gestantes

"Durante a gestação, os medicamentos ingeridos pela mãe podem atravessar a placenta e provocar efeitos teratogênicos, como defeitos na formação do feto", afirma a farmacêutica Andrea Fontoura, que realizou a pesquisa.

"Todo medicamento é lançado após exaustivos testes clínicos com seres humanos, mas como eles não podem ser realizados em gestantes, seus efeitos deletérios são conhecidos apenas quando já estão no mercado," explica ela.

Remédios mais arriscados para gestantes

Das gestantes entrevistadas, 98% apontaram que usavam pelo menos um tipo de princípio ativo, com um número médio de sete princípios ativos por gestante - uma das mulheres revelou que usava 34 medicações diferentes.

O trabalho utilizou a classificação da Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador de medicamentos nos Estados Unidos, que divide os princípios ativos em cinco grupos. Os medicamentos mais utilizados pelas gestantes estão nas categorias A e B, com 20,55% e 25,20%, respectivamente. "Os estudos existentes demonstram que esses grupos de medicamentos não tiveram efeitos teratogênicos sobre os fetos", afirma Andrea.

A farmacêutica alerta para os riscos da utilização dos princípios ativos da categoria C, verificada em 14,07% das mulheres pesquisadas, e que inclui a escopolamina, receitada em casos de dor e cólicas. "Essa categoria inclui medicamentos que apresentaram efeitos adversos no feto em pesquisas sobre reprodução animal", ressalta. "Entretanto, em seres humanos, não existem estudos adequados ou os resultados não foram divulgados".

Medicamentos de alto risco

Embora 86,4% das gestantes utilizem medicamentos com prescrição médica, 60% não receberam nenhuma orientação sobre a medicação utilizada. De acordo com a pesquisadora, essa disparidade acontece porque em muitos casos os medicamentos são apenas entregues pelo farmacêutico com a apresentação da receita. "Na verdade, a medicação deveria ser dispensada, ou seja, no ato da entrega serem fornecidas todas as informações necessárias para o usuário", explica.

Apenas uma das gestantes pesquisadas usava medicamentos da categoria X, que apresenta maiores riscos ao feto, uma mulher que tomava anticoncepcional e soube da gestação apenas no quinto mês de gravidez. "Além dos contraceptivos, o grupo também inclui medicamentos como a isotretinoína, utilizada para tratamento de acne severa, e a vitamina A em doses elevadas", diz a farmacêutica. "A Política Nacional de Humanização do Pré-Natal e Nascimento, adotada pelo Ministério da Saúde, prevê a captação precoce das gestantes, que devem passar pela primeira consulta do pré-natal antes de completarem 120 dias de gravidez."

Consciência dos riscos para a gestação

Andrea recomenda a presença de farmacêuticos nas equipes de saúde que cuidam das gestantes durante o pré-natal. "Elas não devem utilizar medicamentos sem receberem informações adequadas sobre os possíveis efeitos negativos dos princípios ativos", conta.

A farmacêutica também aponta que a realização de estudos farmacoepidemiológicos sobre a utilização de medicamentos ajuda a promover seu uso de forma mais racional. "De posse dessas informações, é possível deixar de prescrever medicação apenas por prescrever, sem consciência dos riscos para a gestação".

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Uso compulsivo da Internet está associado com depressão

Agência Fapesp

  • O que vem primeiro? As pessoas depressivas são atraídas pela internet ou é o uso da rede que causa depressão? [Imagem: Ag.Fapesp]

     

    Internet demais faz mal

    Pessoas que passam muito tempo navegando pela internet têm maior risco de apresentar sintomas depressivos, de acordo com uma pesquisa feita no Reino Unido por cientistas da Universidade de Leeds.

    O estudo, que será publicado na edição de 10 de fevereiro da revista Psychopathology, procurou analisar o fenômeno de usuários que têm desenvolvido o uso compulsivo da internet, substituindo a interação social no mundo real pelo virtual, em redes sociais, salas de bate-papo ou em outros serviços eletrônicos.

    Lado negro da internet

    Segundo os pesquisadores, os resultados do estudo apontam que esse tipo de dependência pode ter impactos sérios na saúde mental. "A internet ocupa hoje parte importante na vida moderna, mas seus benefícios são acompanhados por um lado negro", disse Catriona Morrison, um dos autores do estudo.

    "Enquanto a maioria usa a rede mundial para se informar, pagar contas, fazer compras e trocar e-mails, há uma pequena parcela dos usuários que acha difícil controlar o tempo gasto on-line. Isso ao ponto em que tal hábito passa a interferir em suas atividades diárias", apontou a cientista.

    O que vem primeiro, a internet ou a depressão?

    Os "viciados em internet" passam, proporcionalmente em relação à maioria dos usuários, mais tempo em comunidades virtuais e em sites pornográficos e de jogos. Os pesquisadores verificaram que esse grupo tem incidência maior de depressão de moderada a grave.

    "Nossa pesquisa indica que o uso excessivo da internet está associado com depressão, mas o que não sabemos é o que vem primeiro. As pessoas depressivas são atraídas pela internet ou é o uso da rede que causa depressão?", questionou Catriona.

    "Está claro que para uma pequena parte dos usuários o uso excessivo da internet é um sinal de perigo para tendências depressivas. Precisamos considerar as diversas implicações dessa relação e estabelecer claramente os efeitos desse uso na saúde mental", disse a pesquisadora.

    Viciados em internet

    A pesquisa examinou 1.319 pessoas com idades entre 16 e 61 anos. Do total, 1,2% foi considerado como "viciado em internet". Apesar de ser uma pequena parte do total, segundo os pesquisadores o número de internautas nessa categoria tem crescido.

    Incidentes como a onda de suicídios entre adolescentes ocorrida na cidade de Bridgend, no País de Gales, em 2008, têm levado a questionamentos a respeito da influência das redes sociais em indivíduos vulneráveis à depressão.

    No estudo, os pesquisadores observaram que o grupo dos "viciados em internet" era formado principalmente por usuários mais jovens, com média de idade de 21 anos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Dieta e exercício físico reduzem igualmente os riscos cardiovasculares.

 
 

Sem efeito cumulativo

Para se proteger das doenças cardiovasculares, o que é melhor: exercício físico ou dieta?

Tanto faz. A conclusão é de um estudo feito em modelos animais nas faculdades de Medicina e Educação Física, ambas da Universidade de São Paulo (USP).

E mais: o trabalho indicou que a associação das duas abordagens não medicamentosas não resulta em benefício adicional na função cardíaca.

Ou seja, segundo o estudo, escolha a dieta ou o exercício e você ficará bem - mas não adianta fazer os dois, porque os ganhos não são cumulativos.


 

Obesidade crônica

A explicação dos pesquisadores para isso é que cada uma das intervenções isoladamente já é suficiente para evitar que a obesidade crônica provoque a disfunção cardíaca.

De acordo com Carlos Eduardo Negrão, do Instituto do Coração (InCor), as alterações cardíacas decorrentes da obesidade podem ser evitadas "se a restrição alimentar ou o exercício físico forem utilizados como conduta não medicamentosa para interromper o processo de obesidade crônica", disse.


 

Mecanismos moleculares

Além de avaliar os efeitos do treinamento físico e da restrição alimentar na função cardíaca, um dos objetivos do estudo foi tentar esclarecer o papel dessas intervenções nos mecanismos moleculares envolvidos nas alterações cardíacas causadas pela obesidade.

"O estudo acrescenta conhecimentos importantes sobre o papel do exercício e da restrição calórica nos mecanismos moleculares associados à função cardíaca na obesidade", disse Negrão.


 

O experimento

Na pesquisa, ratos wistar machos foram alimentados com dieta normocalórica (quantidade normal de calorias) ou hipercalórica (rica em gordura e açúcar) durante 25 semanas. Após esse período, os animais alimentados com a dieta hipercalórica foram subdivididos em quatro grupos e acompanhados por mais dez semanas.

No primeiro grupo, os ratos continuaram recebendo a dieta hipercalórica e foram mantidos sem treinamento físico. No segundo, continuaram com dieta hipercalórica e foram treinados. No terceiro, deixaram de receber essa dieta para serem submetidos à restrição alimentar (menos 20% da ingestão diária). No quarto grupo, os ratos foram submetidos ao treinamento físico e à restrição alimentar.

"Após a vigésima quinta semana, os animais submetidos à dieta hipercalórica não apresentavam alterações na função cardíaca, embora já apresentassem substancial ganho de peso", explicou Ellena.

"Após mais dez semanas de alimentação rica em gordura e mais ganho de peso corporal, eles apresentaram alteração na força de contração do coração e nas proteínas moleculares envolvidas nessa função. Isso foi evitado nos animais submetidos ao exercício físico ou à restrição alimentar", contou.


 

Metabolismo das gorduras

Outro resultado importante sobre o papel do exercício e da restrição alimentar alcançado no trabalho está relacionado ao metabolismo de lípides. "A restrição alimentar em associação com o exercício físico diminuiu significativamente a esteatose e a hipertrigliciridemia em animais obesos", disse Ellena.

Mas se por um lado a associação da restrição alimentar e do exercício físico não mostrou efeito cumulativo nos parâmetros cardíacos, por outro lado essas duas intervenções associadas diminuíram a quantidade de gordura estocada no fígado de animais obesos (esteatose hepática) e, também, os níveis de triglicérides plasmático.

"Embora a restrição alimentar isoladamente diminua a quantidade de gordura acumulada no fígado, ela aumentou a concentração de triglicérides plasmático, o que sugere um aumento na resistência hepática à insulina. Esses são achados importantes. Sabe-se que a esteatose, triglicérides aumentados e a resistência à insulina elevam o risco de doença cardiovascular", destacou Ellena.

Segundo a pesquisadora, o trabalho permite concluir que a restrição calórica e a prática de exercício devem ser recomendadas para a prevenção de alterações cardíacas e metabólicas causadas pela obesidade.

 
 

Os textos aqui apresentados são apenas de caráter informativo e não substituem, em hipótese alguma, as orientações do seu médico ou um especialista nessa área.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Anvisa alerta sobre efeitos colaterais de remédio para emagrecimento

Emagrecimento arriscado

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária fez um alerta aos profissionais de saúde sobre o uso de sibutramina.

A substância, que está presente em medicamentos usados para auxiliar a perda de peso, deve passar por uma nova avaliação do órgão em fevereiro.

O órgão também deve promover debates sobre o tema. Um novo parecer técnico pode determinar medidas mais restritivas ao uso desses medicamentos. Enquanto isso, a Anvisa quer que farmacêuticos e médicos orientem a população quanto aos riscos e às reais necessidades de uso do medicamento.

Efeitos colaterais do emagrecedor

O alerta foi feito após a suspensão da venda da sibutramina na Europa, a partir de recomendação da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, em inglês).

Estudo feito por um comitê da agência mostrou que os efeitos colaterais do uso da substância, principalmente no desenvolvimento de doenças cardiovasculares pre-existentes, são maiores do que os benefícios prometidos pelos medicamentos.

Prescrição criteriosa

Em nota, o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Ricardo Meirelles, ressaltou que o estudo foi feito em pacientes já portadores de doença cardiovascular ou com histórico de problemas cardíacos. Segundo ele, "em condições normais, [esses pacientes] não seriam elegíveis para a prescrição da sibutramina.

Segundo Meirelles, não há evidências de que a "prescrição criteriosa" a pacientes sem contraindicações "ocasione aumento de eventos cardiovasculares". O médico lembrou também que os medicamentos, se necessários, devem agir como coadjuvantes de hábitos saudáveis.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

INTOXICAÇÃO ALIMENTAR

Se comer fora de casa pode ser arriscado, preparar o próprio alimento também não garante isenção de contaminações.

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo descobriu que 27% dos casos de intoxicação alimentar, registrados entre 1998 e 2008, foram gerados por ingestão de alimentos preparados em casa.

Nesse período, a Secretaria computou 76,8 mil casos de doenças transmitidas por água e alimentos (DTA). A grande maioria deles - 72,5 mil - são casos de diarreia aguda causada por bactéria, principalmente a Salmonella, responsável por 7 mil deles.

Intoxicação caseira

No entanto, de acordo com o órgão, o dado que mais chamou a atenção foi o alto número de intoxicações ocorridas nas residências, que superou as provocadas por alimentos ingeridos em estabelecimentos comerciais ligados à área de alimentação como restaurantes, bares e padarias, que respondem por 24% do total.

Creches, escolas, asilos e outros locais representaram 39% das intoxicações alimentares e em 10% dos casos não houve registros do local de contaminação.

Diarreia aguda

Entre os casos de diarreia aguda causada por Salmonella, segundo o estudo, 35% estão relacionados ao consumo de ovos crus ou mal cozidos e a alimentos preparados à base de ovos, principalmente maionese. Outros 16% foram causados por bolos e doces, 11% pelo consumo de tortas, salgados e lanches, e 9% pela ingestão de carnes e aves.

"O cuidado na hora de preparar alimentos é fundamental para evitar intoxicações, que além de diarreia, podem causar outros sintomas como vômito, cólicas, febre e, em alguns casos, distúrbios alérgicos, neurológicos e até morte", alerta Maria Bernadete de Paula Eduardo, diretora da Divisão de Doenças Transmitidas por Água e Alimentos do Centro de Vigilância Epidemiológica.

Dicas para o preparo de alimentos

A Secretaria Estadual da Saúde divulgou também uma série de dicas para o preparo de alimentos em casa, como atenção especial aos utensílios de madeira, não utilizar a mesma faca em alimentos diferentes sem lavá-la antes. Veja a seguir todas as dicas:

  • Cozinhar, assar ou fritar muito bem as carnes bovinas, suínas, aves, peixes, ovos ou outros produtos de origem animal. O interior do alimento deve estar suficientemente aquecido e cozido para matar as bactérias ou outros microrganismos.
  • Separar os alimentos durante sua preparação. Separar aqueles que já foram lavados e desinfetados dos que ainda serão preparados. Não utilizar a mesma faca durante a preparação dos alimentos, e sempre higienizá-la com água e sabão antes de tocar cada alimento.
  • Não misturar os diferentes alimentos na pia enquanto os preparar e sempre higienizar as mãos, os utensílios e a superfície da pia, com água e sabão, a cada preparo de alimento.
  • Cuidado com os utensílios de madeira, como colheres de pau e tábuas de carne. Nos restaurantes, o uso desses materiais é proibido. Em casa, após a utilização, leve-os bem com água e sabão e deixe-os secar bem antes de guardá-los. Se apresentarem ranhuras, riscas ou trincas, despreze-os, pois a higienização se torna difícil.
  • Lavar sempre as mãos antes de preparar ou comer alimentos e toda vez que utilizar o banheiro ou chegar da rua. Pessoas que cuidam de crianças devem lavar bem as mãos depois de trocar fraldas de bebês e antes de preparar ou ingerir alimentos. Após brincar ou tratar de animais de estimação lave bem as mãos. Salmonellas podem ser transmitidas por bichinhos como iguanas, hamsters e outros.
  • Lave bem frutas e verduras com água potável tratada e depois as higienize com hipoclorito de sódio ou água sanitária (siga as instruções no rótulo ou bula do produto). Vinagre doméstico não mata os microrganismos, ajuda apenas a despregar sujeiras.
  • Não compre produtos de origem clandestina ou de quem você não tenha certeza de que está familiarizado com os procedimentos corretos, seja de criação de animais para consumo humano, seja na plantações/hortas ou no preparo/fabricação de alimentos. Muito cuidado com conservas de carnes e vegetais, de origem clandestina ou caseira, pois podem ter sido feitas sem higiene e conter a toxina que causa o botulismo (doença grave e fatal se não tratada a tempo), além de outras bactérias que causam diarreia.
  • Sempre aquecer ou reaquecer os alimentos antes de ingeri-los, mesmo que tenham anteriormente sido guardados na geladeira. Em padarias, rotisseries e outros estabelecimentos comerciais, não compre ou coma salgados ou tortas com recheios que estejam no balcão à temperatura ambiente. Esses produtos deverão estar no refrigerador e serem reaquecidos antes do consumo ou estarem em balcão térmico em temperatura acima de 60°C. Sobremesas e bolos com cremes ou recheios úmidos devem permanecer em balcões adequadamente refrigerados. Guloseimas doces ou salgadas preparadas no comércio devem também portar etiquetas que indiquem a data de validade.
  • Guardar sempre as sobras de alimentos dentro da geladeira. Não deixe os alimentos preparados (pratos cozidos, fritos ou assados ou saladas, sobremesas, etc.) em temperatura ambiente por mais que duas horas, pois os microrganismos e suas toxinas começam a se desenvolver.
  • Organize sua geladeira sem enchê-la demais, pois a quantidade excessiva de alimentos, bebidas, etc., impede a circulação de ar refrigerado. Alimentos perecíveis (leite, queijo, manteiga, iogurte, doces, etc.) devem ficar nas prateleiras superiores que são mais frias.
  • Não guarde os ovos na porta, pois o movimento constante de abrir/fechar a porta pode quebrá-los e assim contaminar outros alimentos. Guarde-os em uma forma de plástico de modo que fiquem separados de outros alimentos. Verduras, frutas e legumes podem ficar nas prateleiras ou gavetas de baixo.
  • Na porta da geladeira guarde alimentos industrializados como sucos em caixas tetrapak, frascos de mostarda, catchup, molhos, conservas em vidro, refrigerantes, pó de café, etc.
  • Use, de preferência, recipientes de vidro ou cerâmica/louça, tampados, para guardar sobras de alimentos ou então potes de plástico, desde que não estejam danificados ou com ranhuras que são de difícil higienização e de risco para crescimento de bactérias ou mofos.
  • Alimentos a serem congelados devem ficar no compartimento de cima (freezer ou congelador), embalados e organizados por tipo de produto, de forma a não contaminar outros alimentos tais como aqueles que serão servidos sem cocção prévia - por ex., sobremesas geladas. Higienize sempre seu refrigerador/freezer seguindo as instruções do fabricante.
  • Lavar sempre as latas e garrafas de refrigerante ou outras bebidas com água e sabão.
  • Recusar canudinhos sem embalagem, pois podem ter sido reaproveitados.
  • Prefira maionese e outros molhos em saches industrializados. Evite consumir esses produtos em bisnagas e frascos reutilizáveis deixados nas mesas de bares, restaurantes e lanchonetes, pois, em geral, ficam em temperatura ambiente e os conteúdos são repostos sem prévia higienização, fatores que favorecem a multiplicação das bactérias. Não coma saladas com maionese tipo "caseira" feita de ovos crus.
  • Observar sempre a higiene do lugar onde se vai comer fora. Evite comida de rua e principalmente os locais onde não haja refrigerador para armazenar os produtos perecíveis ou falte local com água para a devida higienização das mãos do manipulador/preparador de alimentos.

    Na praia, não coma salgadinhos, sanduíches, frutos do mar ou petiscos que estejam à temperatura ambiente. Ostras cruas e outros frutos do mar, em temperatura ambiente e sem higiene podem causar graves intoxicações. Prefira os restaurantes onde você possa comer pratos feitos na hora.

  • Nos self-services, veja se os pratos quentes estão em balcão térmico adequado que os mantenha bem quentes, e se as saladas e sobremesas estão em balcão devidamente refrigerado. Observe também se os balcões onde você se serve têm anteparos que evitem que o consumidor contamine a comida espirrando ou tossindo ou mesmo encostando punhos de suas blusas, camisas, aventais, que podem contaminar os alimentos preparados. Veja também se o restaurante dispõe de uma pia com sabão e toalhas de papel para que o consumidor lave as mãos antes de começar a se servir, ou sentar-se à mesa. Veja como estão as chapas dos fogões, as panelas, os azulejos das paredes, onde está o recipiente de lixo, a limpeza do chão. É importante visitar a cozinha dos restaurantes onde você vai fazer suas refeições. Notifique à Vigilância Sanitária de sua cidade os locais sem higiene e sem os cuidadosnecessários para comercialização ou preparação de alimentos seguros.
  • Se você estiver doente, evite preparar alimentos que serão consumidos por outras pessoas, pois pode haver contaminação do alimento e propagação para outras pessoas. Diarréias, Febre Tifóide, Hepatite A, e inclusive gripes e resfriados, podem ser veiculados para outras pessoas quando foram preparados por pessoas com essas doenças.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O que de fato devemos temer em relação aos telefones celulares?


 


 

Mar de radiofrequências

A utilização dos telefones celulares cresceu exponencialmente ao longo dos últimos 10 anos, muito mais rapidamente do que aconteceu com a televisão e o com rádio na época do surgimento dessas tecnologias.

Por isso, é muito cedo para quantificar os riscos a longo prazo que os celulares impõem sobre a saúde humana.

Contudo, o crescente número de usuários e as antenas de retransmissão, proliferando mesmo nos cantos mais remotos do mundo, significam que estamos constantemente imersos em um mar de radiofrequências (RF).

Será que nossos corpos são capazes de suportar tal exposição? Até que nível? O efeito seria o mesmo para todas as pessoas?

Celular e tumores cerebrais

Pesquisadores do projeto Interphone, o maior estudo epidemiológico já realizado sobre a relação entre o câncer e os telefones celulares, estão divulgando seus primeiros resultados.

Embora a interpretação deste estudo ainda não permita tirar conclusões definitivas, ele sugere que o uso de telefones celulares pode causar a ocorrência de certos tumores cerebrais.

Os resultados iniciais do estudo, iniciado em 1999 pela Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC) em 13 países industrializados, sugerem que as pessoas que usaram telefones celulares regularmente por 10 anos apresentam um maior risco de desenvolver determinados tumores.

O estudo analisou quatro tipos de tumores que afetam o cérebro ou as partes da cabeça ao redor das orelhas. Cada participante recebeu um questionário detalhado sobre o uso do telefone celular, seu perfil demográfico, se usa ou não outros sistemas de comunicação, se fuma e tudo sobre seu histórico médico pessoal e familiar.

No total, 2.765 pessoas com gliomas, 2.425 com meningiomas, 1.121 com neuroma acústico e 400 com câncer da glândula parótida foram entrevistadas utilizando um protocolo comum, juntamente com um grupo controle de 7.658 pessoas.

Uma interpretação prudente ...

Com relação aos gliomas, o câncer do cérebro com maior risco de mortalidade, o estudo Interphone afirma que "os dados dos países escandinavos e do Reino Unido identificaram um maior risco de desenvolver este tipo de tumor no lado da cabeça normalmente usado para telefonar."

Os resultados sugerem que a probabilidade de os usuários desenvolverem um glioma após 10 anos de uso contínuo do telefone celular é até 60% mais elevado nos países escandinavos, quase 100% maior na França e perto de 120% na Alemanha.

Para os meningiomas e neuromas acústicos, os resultados não são tão claros, embora perceba-se uma tendência semelhante. Para os tumores da glândula parótida, por outro lado, nenhum aumento no risco foi observado.

Mas futuras investigações, com períodos de latência maiores, serão necessárias para confirmar estes resultados.

Elisabeth Cardis, do Centro de Investigação em Epidemiologia Ambiental (CREAL) em Barcelona, na Espanha, coordenadora do Interphone, no entanto, minimiza a natureza alarmante destes primeiros resultados:

"Eles de fato indicam um possível aumento do risco entre os usuários a longo prazo, mas essa observação talvez seja artificial, devido a duas influências principais que podem invalidar as conclusões. Por um lado, os relatórios podem estar subestimados devido ao viés da seleção [dos voluntários], ou seja, quase 55% de taxa de não-resposta entre os usuários saudáveis. Por outro lado, pessoas com câncer pode ter superestimado seu próprio uso de telefones celulares. Isso é o que é conhecido como viés de memorização," diz ela.

Usuário regular

Um grande número de organizações que fazem campanhas para a adoção de normas mais rigorosas sobre o uso de telefones celulares acredita que a definição de "usuário regular" - utilizado no estudo Interphone para representar alguém usando um telefone celular pelo menos uma vez por semana por pelo menos seis meses - é muito amplo, podendo distorcer os resultados.

"Este é, contudo, um conceito muito claro adotado em todos os estudos", diz Elizabeth Cardis. "Quando as pessoas se encontram nesse perfil, um questionário detalhado é enviado para documentar suas histórias completas do uso do telefone celular. Nós fizemos análises pelo número de anos de utilização, número total de chamadas, o número de horas etc."

Interferências com o sistema imunológico

Os resultados finais do Interphone deverão ser publicados nos próximos meses. Até lá, os governos não podem (ou não querem) utilizar o estudo como uma base para a introdução ou a modificação de suas legislações.

Entretanto, outros estudos apontam na mesma direção, como uma tese de doutoramento defendida na Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, em junho de 2008, perante um júri internacional de especialistas.

Dirk Adang, orientado por André Vander Vorst, mediu o impacto das ondas eletromagnéticas em quatro grupos de ratos. Roedores de três destes grupos foram submetidos ao longo de um período de 18 meses, o equivalente a 70% de suas vidas, a diferentes níveis de exposição eletromagnética, sempre em conformidade com as normas internacionais vigentes. O grupo controle não foi exposto.

Efeitos da radiação sobre o sistema imunológico

O estudo chegou a duas conclusões principais.

A primeira diz respeito ao efeito da exposição à radiação eletromagnética sobre os sistemas imunológicos dos ratos. Em análises de amostras de sangue, realizadas a cada três meses, Dirk Adang identificou, nos ratos dos três grupos que sofreram a exposição, um aumento dos monócitos, células brancas do sangue envolvidas na eliminação de corpos estranhos do organismo.

Esta descoberta sugere que o organismo responde à exposição a doses baixas de radiação eletromagnética como se fosse uma agressão externa.

A segunda e mais preocupante conclusão diz respeito à taxa de mortalidade: 60% dos ratos dos três grupos expostos morreram dentro dos três meses do experimento, contra 29% no grupo controle.

Princípio da precaução contra os celulares

Novamente, com relação ao experimento realizado com ratos, esses resultados não permitem conclusões definitivas. Um relatório da Comissão Europeia, publicado em 2009 pelo Comitê Científico de Riscos Emergentes e Recentemente Identificados, indica que não há nenhuma evidência de qualquer impacto das ondas eletromagnéticas sobre a saúde humana, mas recomenda que mais pesquisas sejam realizadas sobre o assunto.

Embora as condições nas quais os telefones celulares são prejudiciais para a saúde pública não estejam claramente estabelecidas, pode-se razoavelmente duvidar de que os úteis aparelhinhos sejam totalmente inocentes.

O que dizer então das cercanias das antenas de retransmissão? E do efeito combinado com as ondas Wi-Fi? O impacto desses parâmetros sobre a saúde ainda é desconhecido.

Mais estudos científicos independentes serão provavelmente necessários para esclarecer todas essas dúvidas. Enquanto isso, cientistas estão defendendo o princípio da precaução:

  • Evitar o uso excessivo dos telefones celulares, especialmente entre as crianças e os jovens;
  • usar fones de ouvido com fio ou dispositivos sem fios;
  • não utilizar telefones celulares em veículos em movimento, o que os obriga a operar com potência total para manter a conexão.

Afinal, não é largamente aceito que o uso excessivo de qualquer coisa é prejudicial?

A eletro-hipersensibilidade existe de fato?

Certas pessoas parecem ser mais sensíveis às ondas eletromagnéticas emitidas particularmente pelas antenas de retransmissão de telefonia celular.

Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluir a hipersensibilidade elétrica na sua lista de patologias, a doença só é reconhecido na Suécia e na Grã-Bretanha.

Sabine Rinckel, uma cidadã da cidade de Estrasburgo, entrou com inúmeras ações judiciais para obter reparação de danos por parte das autoridades francesas. "Eu sofria de enxaquecas e dores nas costas desde que foi instalada uma antena de retransmissão no telhado do meu prédio", conta ela, que tem 40 anos de idade. "Tenho formigamento nos dedos e nas pernas. Sem mencionar esses choques elétricos que machucam meu maxilar. Eu passei por uma cirurgia em 1981, durante a qual parafusos e placas foram inseridos nos ossos do meu rosto."

Os médicos que examinaram Sabine Rinckel foram incapazes de diagnosticar qualquer coisa porque sua patologia não é reconhecido pela profissão.

"Apesar de ter mudado de apartamento, eu continuo sentindo estes sintomas. Eles são tão fortes que eu sou capaz de localizar as antenas de retransmissão sem vê-las," diz a paciente.